O Verbo
JO No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus.
Notas do Autor: JO 1:1-2
NO PRINCÍPIO. Muito antes da fundação do mundo, antes de tudo, Ele já existia. Texto no livro de Provérbios diz: “Ainda Ele não tinha feito a Terra, nem os campos, nem sequer o princípio do pó do mundo. Quando Ele preparava os Céus, aí estava Eu; quando compassava ao redor a face do Abismo; quando firmava as nuvens de cima, quando fortificava as fontes do Abismo; quando punha ao mar o seu termo, para que as águas não trespassassem o seu mando; quando compunha os fundamentos da Terra, então, Eu estava com Ele” (Pv 8:26-30a).
ERA O VERBO. Desde a Sua inicial revelação à humanidade, Deus se apresentou como Verbo. Quando Moisés, cerca de 1500 a.C., perguntou o Seu Nome, o Senhor lhe respondeu: “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3:14). A Torá Viva, ao comentar o Nome de Deus (YHVH), diz: “O Tetragrama denota o nível onde presente, passado e futuro são o mesmo”. Repare: os três tempos básicos em que um verbo é conjugado.
Ao lermos o relato da Criação no Livro de Gênesis, vemos o Verbo ali, revelado na Sua própria boca: “E disse Deus: HAJA Luz” (Gn 1:3). Entender que o Verbo é Deus parece tão difícil quanto entender a complicada gramática portuguesa. Porém, se analisarmos mais profundamente, veremos a perfeita consonância da Gramática com a Teologia: em primeiro lugar, o Verbo HAJA foi empregado no sentido de existir, fazer, ocorrer, acontecer. O Verbo fez tudo existir: “nEle foram criadas todas as coisas que há nos Céus e na Terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1:16).
O Verbo HAJA está no imperativo afirmativo. Imperativo é o modo verbal que exprime uma ordem. A Palavra diz: “Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes. Louvai-o, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus. Que louvem o Nome do SENHOR, pois mandou e logo foram criados” (Sl 148:3-5). Já o modoAfirmativo é aquele que afirma, confirma e concorda. O Verbo estava ali na Criação, afirmando e concordando Consigo mesmo. Mais tarde, Ele mesmo nos ensinará sobre o poder criador da concordância em torno de uma afirmação: “Se dois de vós concordarem na Terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus” (Mt 18:19).
O verbo HAJA também pode ser conjugado no presente do subjuntivo. Subjuntivo quer dizer “subordinado, dependente”. E Ele, ainda que Deus, subordinou-Se ao Pai, fazendo-Se dependente dEle, conforme disse aqui na Terra: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo, e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou” (Jo 5:30). O modo subjuntivo também é chamado de conjuntivo, isto é, “que junta”, “que une”.
Desde o Princípio o Verbo agiu com o Pai e já mostrava que, no futuro, também seria dEle a missão de unir a Criatura ao Criador: “Deus estava em Cristo, reconciliando Consigo o mundo” (II Co 5:19a).
E O VERBO ESTAVA COM DEUS. Não resta dúvida de que Alguém estava no princípio com Deus. No livro de Gênesis, quando lemos o relato da Criação do ser humano, Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1:26a). Se Deus estivesse sozinho, “O Verbo” não estaria no plural.
E O VERBO ERA DEUS. Ao propor a Alguém criar em conjunto um ser semelhante, Deus não conversou com um anjo, mas com Alguém semelhante a Ele. Deus não conversou com outro “deus”. Acreditar que “O Verbo” é outro deus, indefinido e menor, seria chamar Deus de mentiroso, porque Ele mesmo afirma que não há outro deus, conforme lemos na Sua Palavra: “Vede agora que Eu, Eu o sou, e não há outro deus além de mim” (Dt 32:39a). “Não vos assombreis, nem temais; porventura não vo-lo declarei há muito tempo, e não vo-lo anunciei? Vós sois as minhas testemunhas! Acaso há outro Deus além de mim? Não! Não há outra Rocha. Não conheço nenhuma” (Is 44:8). “Quem mostrou isso desde a antiguidade? Quem, de há muito, o anunciou? Porventura não sou Eu, o Senhor? Pois não há outro Deus senão Eu. Deus justo e Salvador não há além de mim” (Is 45:21). “Todavia, EU SOU o Senhor teu Deus desde a terra do Egito; portanto não conhecerás outro deus além de mim, porque não há Salvador senão Eu” (Os 13:4).
Apesar de mais de Um, Deus é Um e Salvador! Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10:30). Na véspera da Sua morte, Jesus declarou: “EU SOU o Caminho, a Verdade e a Vida. E ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14:6). Se Deus fosse outra pessoa, Jesus teria dito: “Ninguém vai ao Pai”. Este “vem” do Senhor Jesus é do verbo “vir” e não do verbo “ir”. Quando, então, Felipe Lhe pediu que mostrasse o Pai, Jesus disse: “Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não me conheces, Felipe? Quem me viu a mim, viu o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é quem faz as suas obras. Crede-me que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras” (Jo 14:9-11).
A humanidade deve honrar “O Verbo” como Deus. Ele mesmo disse: “Para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que O enviou” (Jo 5:23).
Por Juanribe Pagliarin