JO Protestaram, pois, os judeus, perguntando-lhe:
– Que sinal de autoridade nos mostras, uma vez que fazes isto?
Respondeu-lhes Jesus:
– Derribai este Templo e em três dias o levantarei.
Disseram, pois, os judeus:
– Em quarenta e seis anos foi edificado este Santuário e tu o levantarás em três dias?
Mas Ele falava do Templo do seu corpo. Quando, pois ressurgiu dentre os mortos, seus discípulos se lembraram de que dissera isto, creram na Escritura e na Palavra que Jesus havia dito.
Notas do Autor: JO 2:18-22
DERRIBAI ESTE TEMPLO. O objetivo do Templo é proporcionar aos adoradores um lugar de comunhão íntima com o Criador. Jesus é este “local” de adoração íntima a Deus. Nas Escrituras, encontramos OS SETE TEMPLOS DE DEUS, representando, cada um, uma fase da História Espiritual da humanidade:
O Primeiro Templo. Desde Abel até Moisés não havia Templo para Deus. As pessoas O adoravam ao ar livre. O próprio Deus disse: “O Céu é o meu Trono e a Terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificaríeis vós? E que lugar seria o do meu descanso?” (Is 66:1). Foi somente depois da saída do povo de Israel do Egito, cerca de 1440 a.C., durante a peregrinação no deserto, que Deus falou a Moisés: “E me farão um Santuário e habitarei no meio deles” (Êx 25:8). Este primeiro Santuário era uma Tenda móvel e ficou conhecido como Tabernáculo. Nele, Deus manifestava a Sua Glória e a Sua Presença (Êx 40:34).
O Segundo Templo. Foi no final do reinado de Davi, cerca de 1000 a.C., que Deus lhe disse: “Teu filho Salomão edificará a minha Casa e os meus átrios” (I Cr 28:6a). Apesar de o Templo de Salomão ser magnífico, Deus havia dito que, se o rei, o povo e seus descendentes não O adorassem com exclusividade, Ele mesmo destruiria o Templo: “Se, porém, vós e vossos filhos de qualquer maneira vos desviardes e não me seguirdes, nem guardardes os meus mandamentos e os meus estatutos, que vos tenho proposto, mas fordes, e servirdes a outros deuses, curvando-vos perante eles, então exterminarei a Israel da terra que lhe dei; e a esta Casa, que santifiquei a meu Nome, lançarei longe da minha presença. E Israel será por provérbio e motejo entre todos os povos. E desta Casa, que é tão exaltada, todo aquele que por ela passar pasmará e assobiará, e dirá: Por que fez o Senhor assim a esta terra e a esta Casa? E lhe responderão: É porque deixaram ao Senhor seu Deus, que tirou da terra do Egito a seus pais, e se apegaram a deuses alheios, e perante eles se encurvaram, e os serviram; por isso o Senhor trouxe sobre eles todo este mal” (I Rs 9:6-9). Esta profecia se cumpriu literalmente no ano 597 a.C., quando Nabucodonosor, rei da Babilônia, atual Iraque, invadiu Jerusalém, destruiu o esplêndido Templo de Salomão e levou o povo cativo. Vale a pena ler o capítulo 52 do livro de Jeremias. Aliás, foi este mesmo profeta que previu que o cativeiro na Babilônia duraria setenta anos e que, depois, Deus os traria de volta a Israel (Jr 29:10).
O Terceiro Templo. Passados os setenta anos, o rei Ciro da Pérsia, atual Irã, e novo dominador do mundo, permitiu a Zorobabel e a um grupo de cinquenta mil judeus saírem da Babilônia e retornarem a Jerusalém para edificarem o Templo do Senhor (Ed 1). Este Templo ficou conhecido como o Templo de Zorobabel. Apesar de humilde em relação ao Templo de Salomão, uma profecia da época dizia: “A glória desta última Casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e neste lugar darei a paz” (Ag 2:9).
O Quarto Templo. Herodes, o Grande, no ano 19 a.C., começou a construir o Templo de Jerusalém. Utilizou mil sacerdotes como pedreiros, e o Edifício principal ficou pronto em um ano e meio. Os átrios ficaram prontos em oito anos e o restante levou 36 para ficar pronto. Segundo o historiador Josefo, este Templo tinha cinco metros a mais de altura do que o Templo de Salomão. Foi neste Templo que Jesus entrou e cumpriu a profecia de Ageu 2:7: “E farei tremer todas as nações, e virá o Desejado de todas as nações e encherei esta Casa de glória, diz o Senhor dos Exércitos”. Ou seja, a glória daquela última Casa foi maior do que a primeira não porque tivesse cinco metros a mais de altura e sim porque o Desejado de todas as nações entrou naquela Casa!
O Quinto Templo. Ao declarar “Derribai este Templo e em três dias o levantarei”, Jesus mudou o conceito de Templo: o Seu Corpo é o Verdadeiro Templo onde o ser humano pode orar, louvar, aprender e adorar a Deus.
O Sexto Templo. Após a Sua morte e ressurreição, Jesus transformou o corpo humano no Templo Vivo de Deus. Jesus disse: “Se alguém me ama, guardará a minha Palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada” (Jo 14:23). Por ser Ele o Único que batiza com o Espírito Santo, Jesus pôde cumprir esta promessa no Dia de Pentecostes (At 2:4). O apóstolo Paulo escreveu: “Não sabeis vós que sois o Santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o Templo de Deus, Deus o destruirá; porque o Templo de Deus, que sois vós, é santo” (I Co 3:16-17). A condição para se ter a presença de Deus continua sendo a mesma que o Senhor tinha dito a Salomão: obediência e exclusividade de adoração. Hoje a Igreja, em cada um dos seus membros, está vivendo este momento como Templo de Deus. Nós somos o Tabernáculo, a Tenda Móvel, o Templo que Anda, a Igreja Viva, o Templo do Espírito Santo, pois “o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens” (At 7:48).
O Sétimo Templo. Muito breve, viveremos o Sétimo Templo – não por acaso Sétimo, o número da Perfeição Divina. Deus sempre reserva o melhor para o final. Na Nova Jerusalém Celestial não haverá Templo, assim como no princípio não havia Templo no Jardim do Éden e, mesmo assim, o ser humano desfrutava da comunhão com Deus. A profecia diz: “Nela não vi Templo, porque o seu Templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro” (Ap 21:22). Entendendo melhor: Hoje, somos o Templo de Deus. Amanhã, Deus será o nosso Templo.
Por Juanribe Pagliarin